|
Instrumentos
>
Gaita-de-fole
>
Oficina

O Gaiteiro
Joaquim Pereira "Carriço", acompanhado pelos seus percussionistas, nos
anos 80 (foto: Rui
Pais de Carvalho).
Oficina de Gaita-de-fole: História, repertórios e técnicas.
Nesta edição,a oficina de gaita-de-fole dará a conhecer o Sr Joaquim
Pereira, gaiteiro da Beira Litoral. Através da oficina, o tocador dará a
conhecer o repertório e técnicas de gaita-de-fole da sua região, ajudado
pela presença do pivot, Pablo Carpinteiro. Este ano, a gaita-de-fole
será devidamente acompanhada pela percussão, como é hábito nas formações
de gaiteiros de todo o país, com a presença do tocador António Roque.
A Beira Litoral é uma das regiões portuguesas mais ricas e desconhecidas
no que respeita à Gaita-de-fole. Embora quase todos tenham ouvido falar
de gaiteiros no Minho, Trás-os-Montes ou mesmo na Estremadura, muitos
desconhecem a riqueza dos gaiteiros da Beira Litoral. Ainda hoje, muitos
gaiteiros envelhecidos conservam nas regiões rurais nos arredores de
Coimbra gaitas-de-fole com mais de 100 anos de antiguidade, construídas
localmente - instrumentos ainda pouco estudados e divulgados que são
muito diferentes, na morfologia e tonalidade, dos existentes no resto do
país.
Tocador: Joaquim Pereira
“Carriço”
Joaquim
Pereira, mais conhecido por Carriço, homem de setenta e sete anos de
idade, nascido, criado e casado na Quinta do Valongo, freguesia da
Vacariça, é um dos derradeiros gaiteiros tradicionais da zona que
engloba Coimbra e concelhos limítrofes.
Apesar de não ter antecedentes na família, Joaquim Carriço conheceu
diversos antigos gaiteiros da zona, de quem bebeu grande parte do saber.
Entre estes antigos tocadores, alguns nascidos bem dentro do século XIX,
encontram-se os membros do grupo de gaiteiros da Vacariça, aos quais já
Armando Leça fazia referência na obra Cancioneiro Músico-Popular,
editada em 1940: “Na Mealhada deve reconstituir-se o Gaiteiro da
Vacariça”. A ponteira da Gaita-de-fole tocada por Carriço foi construída
por um artesão que tinha oficina na cidade de Coimbra. Sendo assim, este
tocador faz parte do restritíssimo grupo de velhos gaiteiros da região
que ainda utiliza um instrumento de fabrico local. Desde há décadas que
o seu grupo tem participado em milhares de festas, a maior parte das
quais patronais, participando em festejos quer profanos, quer sagrados,
por exemplo, animando bailes, anunciando peditórios e tocando à frente
das procissões. É um dos últimos gaiteiros da sua região que ainda sabe
tocar o Passo-dobrado, um dos únicos temas exclusivos do repertório da
gaita de fole da zona de Coimbra. Apesar de ter trabalhado durante
muitos anos numa serração, nunca interrompeu o contacto com o trabalho
da terra, seja cultivando as suas pequenas propriedades, ao longo de
toda a vida, seja, durante vários anos, trabalhando ao dia, em grandes
propriedades vinícolas bairradinas.
Henrique Oliveira
Pivot: Pablo Carpinteiro
Doutorado
em Ciências pela Universidade de Santiago de Compostela, trabalha
actualmente como investigador nessa instituição.
Começou a tocar a gaita aos 8 anos de idade e aos 18 fundou a banda de
gaitas da Associação Cultural Val do Asma de Chantada e o grupo Folerpas
de Chantada. A sua trajectória inclui os grupos Cantigas e Agarimos, o
Obradoiro de Cultura Tradicional Ultreia, a Orquestra de Câmara da
Universidade de Santiago de Compostela e a gravação de vários CD's a
solo e com o grupo Ultreia e Requinta de Xian.
Como docente, tem administrado cursos de toque fechado em vários pontos
da geografia galega e dá aulas de gaita em várias associações e escolas.
Nos últimos anos tem desenvolvido um intenso trabalho de investigação
sobre a Gaita-de-Fole em Portugal, em colaboração com Henrique Oliveira,
da Associação Gaita-de-foles. No decurso desse trabalho tem conhecido
inúmeros gaiteiros populares, (incluíndo Flamínio de Almeida, Joaquim
Carriço, entre muitos outros) e documentado vários instrumentos antigos,
repertório e técnicas de gaiteiros portugueses, sobretudo oriundos da
Beira Litoral. Para além de ser um dos maiores conhecedores da
Gaita-de-fole em Portugal e na Galiza, é também um verdadeiro homem dos
sete instrumentos, proprietário de uma rara colecção de gaitas antigas
(algumas com mais de 100 anos), que toca de forma exímia.

|
|