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Instrumentos
> Viola Campaniça

Oficina de
Campaniça no I Encontro de Tocadores (Nisa, 2002). Da esquerda para a
direita: Pedro Mestre, Manuel Bento e José Barros (foto: Miguel
Barriga).
Tocador: Manuel Bento
Manuel Bento toca Viola Campaniça desde cedo, tendo
aprendido com o pai e avô, também tocadores. Em jovem dedicava-se ao
trabalho no campo, e à noite tocava na taberna do pai, em Aldeia Nova,
Ourique. Tocava também em romarias, na Feira de Castro, e frquentemente
acompanhava o cante a despique e ao baldão.
Sem nunca aprender a ler pautas, a sua sabedoria começa a ser
reconhecida publicamente em mais velho, sendo gravado por Rafael Correia
e José Alberto Sardinha. Com a esposa D. Maria e o tio Sr. Francisco
António forma o trio Viola Campaniça. Com esta formação gravam diversos
CDs, e actuam por todo o país. Actualmente, Ti Manuel Bento é o tocador
de maior prestígio de Viola campaniça, que coninua a ter um enorme
prazer em ensinar a sua arte às gerações mais jovens.
Pivot: Pedro Mestre
Pedro
Mestre é natural da localidade Aldeia de Sete, concelho de Castro Verde,
localidade onde ainda reside. Desde pequeno que nutre um enorme gosto
pela música tradicional alentejana, devido ao facto de ouvir a sua mãe
cantar modas alentejanas. Entrou aos 10 anos para o Coral Infantil “Os
Carapinhas” e, aos 12 anos, aprendeu a tocar Viola Campaniça com o
mestre Francisco António (mais conhecido por Chico Bailão). Aos 13 anos
ingressou no Coral Masculino “Os Ganhões” e um ano mais tarde assumiu o
cargo de Mestre Ensaiador do mesmo grupo.
Em 2001, foi fundador de dois grupos corais da freguesia de Santa
Bárbara de Padrões: Grupo Coral e Etnográfico “Os Cardadores” e Grupo
Coral e Etnográfico “As Papoilas”, sendo também o mestre Ensaiador dos
mesmos. Em 2002, assume o lugar do seu mestre – Chico Bailão – , dando
continuidade ao Grupo de Violas Campaniças de Castro Verde, no qual fica
a tocar com o mestre Manuel Bento. Neste ano também se dedica à
construção de Violas Campaniças, que aprendeu a construir com o artesão
Amílcar Silva. Em 2003, fundou, na Aldeia da Sete, a Associação de Cante
Alentejano “Os Cardadores, com o objectivo de preservar os usos e
costumes do concelho de Castro Verde. Neste ano e, em 2004, foi formador
na Escola/Oficina de Violas Campaniças, dinamizada pela Cortiçol –
Cooperativa de Informação e Cultura de Castro Verde
Actualmente, Pedro Mestre apresenta a Viola Campaniça em três formas:
uma com o Grupo de Violas Campaniças, acompanhado de vozes femininas,
outra acompanhando improvisadores do cante de despique e baldão e, outra
ainda, apresentado modas campaniças a solo, acompanhado por outros
instrumentos (Viola ritmo, Viola baixo e percussão).
Características
A Viola Campaniça é a maior das violas portuguesas, com 94 cm. Para além
dos trastos normais, apresenta mais dois ou três trastos complementares,
já sobre o tampo, e apenas sob as cordas agudas, de modo a permitir uma
amplitude maior nos agudos do canto que aí se desenha (ver foto).
Contexto social
A Viola Campaniça usava-se por todo o distrito de Beja e noutras zonas
próximas, toca-se a solo ou a acompanhar o canto de “modas” e
“despiques”, geralmente entre dois tocadores, que improvisam, nos bailes
públicos e particulares, nas festas, nas vendas e noutras quaisquer
ocasiões. Essas “modas” e “despiques” à Viola campaniça, de ritmos vivos
e de uma feição alegre e extrovertida, são de facto totalmente alheios à
gravidade concentrada, à interioridade e à nostálgica solenidade que
caracterizam os clássicos corais polifónicos da província.
Afinação
A afinação da Viola Campaniça está estreitamente adaptada à voz que
acompanha. Assim, as primas afinam pela voz, porque é nelas que
preferencialmente se dá o canto; as segundas, no terceiro ponto, afinam
pelas primas soltas; as terceiras, ou toeiras, no sétimo ponto, afinam
pelas primas soltas; as quartas, ou bordão das primas, no segundo ponto,
afinam pelas primas soltas; as quintas são idênticas às toeiras, com o
bordão uma oitava a baixo – o que corresponde uma afinação ré – si – sol
– dó – sol (do agudo para o grave), começando a afinação com o canto
pelo ré. (Fig. 7).

Fig. 7 – Afinação
das 10 cordas da Viola campaniça; os números indicam as ordens, 1 para
primeiras, 2 para segundas e assim sucessivamente.
(Extraído e
adaptado do Livro “Instrumentos Musicais Populares Portugueses” de
Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira - Gulbenkian 2000).

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