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Percussões

Manuel e
Ricardo Lima, do grupo de Zés-P'reiras "Os Divertidos" (Delães, Vila
Nova de Famalicão).
A Percussão dos Zés-Preiras
No Entre Douro e Minho existem três modos de agrupamentos comummente
designados de zés-preiras: o primeiro, bastante comum por diversas
regiões do país como Trás-os-Montes, Beira Litoral ou Estremadura,
constituído por Gaita-de-fole, Caixa e Bombo, o qual é correntemente
apelidado de "gaiteiros"; o segundo, composto por um número
indeterminado de caixas e bombos (que às vezes atingem algumas dezenas
de elementos), também conhecido por zabumbas, tamborileiros ou
trampolineiros, dos quais encontramos bastantes no Douro Litoral em
especial nos concelhos de Amarante, Felgueiras, Paços de Ferreira,
Penafiel, Gaia, entre outros; e por fim, também intitulados de
"charanga", o agrupamento do qual fazem parte gaitas de fole,
clarinetes, uma ou duas caixas e um ou dois bombos e que se observam
desde o Baixo até ao Alto-Minho.
Componentes de importância acrescida no cerimonial das festividades do
Entre Douro e Minho, os Zés-P'reiras, tal como outros fenómenos de
agrupamentos musicais tradicionais, transportam consigo um repertório
que varia entre o sagrado e o profano. Um dos aspectos importantes na
interpretação das suas cadências e ritmos é o conhecimento e compreensão
das condicionantes de cada música tendo em conta esta dicotomia,
percebendo a distinção entre o que são ritmos ao divino e ritmos de
diversão.
Podemos encontrar os grupos de Zés-P'reiras em bastantes festas do país
e, não raramente, actuando em todas as fases da solenidade desde a sua
preparação (peditórios) até à igreja, na hora da missa solene, onde vão
levar os juízes e mordomos que organizaram a festividade, assim como
podem também participar na procissão dessa mesma eucaristia. Mesmo em
momentos de maior importância religiosa eles podem-se fazer ouvir numa
qualquer procissão ou no acompanhamento do compasso pascal, embora cada
vez mais as fanfarras de bombeiros e escuteiros os tenham substituído
para estas ocasiões cerimoniais.
Por outro lado, e no aspecto mais profano das suas actuações, tocam nas
alvoradas das manhãs que precedem o dia principal da festa, em desfiles
(de figuras gigantescas, de oferendas, etc.), em cortejos alegóricos e
corsos carnavalescos, em comemorações desportivas, e muito raramente, na
animação de bailes.
Para a oficina de percussão, além da compreensão destes aspectos,
importa realçar a riqueza técnica que os tocadores tradicionais mais
experientes conseguem expressar, o que requer bastante apuramento, e que
pode ser transmitido à assistência através duma interacção atenta e
compreensiva.
Os Tocadores:
Manuel Lima e Ricardo Lima
Manuel e Ricardo Lima são membros do grupo de Zés-P'reiras “Os
Divertidos” de Delães, Vila Nova de Famalicão. Manuel Lima herdou do
pai, João Pereira Lima, a regência dos “Divertidos” e desde então tem
executado a sua actividade com a ajuda de familiares e amigos entre os
quais o seu filho mais velho, Ricardo Lima. Os grupos desta freguesia
distinguem-se dos demais Zés-P'reiras por apresentarem uma formação de
tipo "charanga", onde entram várias gaitas, clarinetes, caixa a tempo,
caixa a contratempo e bombo. Tal como muitos tocadores tradicionais,
além de gaiteiros e clarinetistas, estes dominam igualmente a percussão,
demonstrando as polivalências dos elementos destes agrupamentos.
O Pivot: Paulo Tojeira
Paulo
Tojeira é o fundador do projecto Tocándar, um projecto pedagógico e
artístico, constituído por crianças e jovens da Marinha Grande, que
transporta para a actualidade a festa dos “Zés Pereiras”, integrando
ambientes rítmicos tradicionais e contemporâneos. Participou em diversos
projectos musicais desde 1974 até hoje. É também licenciado em Educação
Física, com um Doutoramento em Fisioterapia e Educação Física pela
Academia de Medicina de Sófia (Bulgária), tendo-se especializado em
Terapia da Mão. Ao longo do seu percurso tem procurado aplicar os seus
conhecimentos de fisioterapia às técnicas de percussão.

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